Ideias Criativas - As Startups

Ideias Criativas – As Startups

O que podem fazer por nós?

O ano de 2021 realmente será um período em que as ideias criativas se destacarão entre todas as formas já conhecidas de relacionamento sócio, econômico e profissional.

Em nosso texto anterior, pontuamos que este ano será o ano da criatividade, em certo sentido devido ao isolamento social que nos foi imposto pela Pandemia,  e o ano em que os resultados do empreendedorismo nascido durante a fase de isolamento social serão consolidados, inclusive fazendo com que processos ou profissões existentes antes da Pandemia efetivamente comecem a desaparecer.
Esse desaparecimento ou redesenho de profissões ou posições de trabalho nas Corporações, já vinha acontecendo de forma gradual antes da Pandemia, em grande parte devido à intensificação do uso da Tecnologia, gerando a necessidade de qualificação adicional por parte dos profissionais e trazendo infelizmente a questão do desemprego para o dia a dia, exigindo uma readaptação de profissionais e corporações  em muitos setores da atividade econômica a uma nova realidade de atuação no mercado.

Foram muitas as mudanças, tanto em nível das relações de trabalho, o que por si só é um desafio, especialmente em nosso país onde existe uma grande regulamentação das leis trabalhistas, como em nível da tecnicidade, onde até um profissional de função mais simples, ou chão de fábrica, foi chamado a se reciclar de tal forma que se não o fizesse, certamente seria colocado à margem.

Em outras épocas era muito comum dizer-se que se uma pessoa não encontrasse colocação nos centros urbanos seria muito melhor que fosse “pegar enxada” no campo. Nem mais isso é  verdade hoje, uma vez que cada dia que passa, o agro negócio brasileiro está mais sofisticado e eficiente, devido às novas tecnologias implementadas no campo, nas empresas de agricultura de exportação e produção interna.

Para citar um exemplo, estamos na época da safra de grãos, que neste ano será novamente responsável por um excelente resultado comercial para o Brasil. Nesta época de safra, são muito comuns as contratações de recursos humanos para a colheita de grãos, manuseio  e processamento sendo que o que se tem visto é que há muitas oportunidades, porém os candidatos não apresentaram as novas habilidades requeridas para poderem exercer o trabalho da colheita das super safras, que atualmente são totalmente guiadas por controles digitais.

É bom lembrarmos que a IV Revolução Industrial, a digitalização e a automação já vinham mostrando sinais de que muitas posições na atividade profissional com o tempo tenderiam ao desaparecimento, dando lugar a novos rumos no trabalho, trazendo desta forma a necessidade de reciclagem nos conhecimentos de forma continuada para evitar-se a consequente perda de colocação profissional que a nova era industrial e comercial estava sinalizando.

Com o advento dessas novidades em todos os segmentos de atividades, inúmeras  startups, ou empresas inicialmente pequenas mas com um alcance enorme,  foram surgindo propondo novas ideias, oferecendo novos e rápidos serviços, eliminando burocracias e tornando a vida, embora isolada, não estanque e estacionada, afinal de contas, o Coronavírus, até o presente, continua a circular em nosso meio,  obrigando-nos a abrir caminhos alternativos para as soluções das questões diárias.

Esses empreendimentos começaram a aparecer no horizonte do mercado por volta do final do século XX e início do século XXI, como um modelo de negócios, com potencial inovador, cuja atividade pode ser repetível, ter muita escala, atingir os resultados esperados pelos clientes de forma muito ampla e rápida, não sendo necessariamente uma empresa de internet, embora este canal seja extremamente atrativo pelos baixos custos e altíssimo poder de alcance em frações de tempo. Essas propostas de empreendimentos atualmente estão presentes em uma grande variedade de áreas do conhecimento e até mesmo na saúde já mostraram novos rumos e formas de condução de atendimento.

Na esteira da digitalização unida às dificuldades trazidas pela Pandemia e o consequente isolamento, iniciativas na área da saúde, que teve praticamente que se reinventar para poder solucionar as diversas demandas das pessoas, nasceram de ideias corajosas no sentido da criação de uma nova forma de relacionamento por exemplo, na medicina.

Como isso? Através da Telemedicina que foi um marco em 2020. Empresas de Saúde que continuaram a insistir no modelo antigo e caro de relacionamento profissional médico-paciente, viram seus portfólios de clientes  reduzirem-se com a migração destes para outras prestadoras, e muitas startups, que vem oferecendo inovações em termos de atendimento médico dinâmico

Com respostas rápidas, acesso  mais facilitado, a custos bem mais atrativos neste momento de grandes incertezas econômicas, além de tornarem muito mais racional e otimizado o recurso a um ambiente hospitalar, gerando nele espaço para atendimento de situações muito mais graves e realmente necessitadas de internações.

Além disso, criaram segurança para os pacientes, na medida em que evitam o contato das pessoas com os ambientes hospitalares, muito expostos ao risco de contágios de diversas doenças e principalmente da Covid19.

O bom senso com certeza percebe o ponto de inflexão em que é necessário um atendimento presencial, mas pode-se evitar com estas novas ideias, riscos de contágio e lotação sem a menor necessidade dos ambulatórios de um hospital, que nestes tempos tão difíceis precisam estar disponíveis para receber quem de fato precisa de atenção urgente e focada.

Percebemos então que  NÃO podemos parar. A vida não para, sendo necessária sua renovação. As startups em linhas gerais vieram para atender a essa grande necessidade  e pensando de um certo ângulo a Pandemia é uma forma de seleção natural, infelizmente; é só prestar atenção às diversas eras de nosso planeta: formas de vida foram e vieram, territórios dos continentes, ilhas, vulcões, terremotos, e outros cataclismas transformaram a vida na terra! Eu, você, também podemos sucumbir a qualquer momento, mas NÃO podemos ficar à espera disso, sendo responsáveis conosco mesmos e com os demais!

No contexto dessa Pandemia  que nos colocou  na marra e de maneira definitiva diante de grandes transformações que de forma muito positiva, apesar do cenário de caos, impactaram totalmente nossa maneira de viver, não é mais possível não enxergarmos  o surgimento de novas posturas de se pensar o empreendedorismo e o trabalho, muito fácil de se perceber nos exemplos de iniciativas de empreendimentos  já citados lançados nestes últimos dois anos, e muito especialmente no período da Pandemia e do isolamento social.

E não há como parar, ainda existem muitas oportunidades de novas ideias que poderão com sua rapidez e eficiência eliminar gargalos da atividade econômica de nosso pais.

Vamos retomar um exemplo dado acima, o da colheita de grãos super digitalizada com pouca mão de obra capaz de operar as moderníssimas colheitadeiras e outras máquinas usadas no campo. Por que não uma startup para renovar conhecimentos do pessoal ligado ao agronegócio?

Todos sabemos que o Brasil possui uma vocação agrícola ímpar e tem todos os recursos para alimentar grandes contingentes. Por que não movimentar esforços para dar treinamento mesmo online para pessoas sem colocação no mercado com o objetivo de qualifica-las para atuarem no agronegócio em todas as suas frentes? Não seria uma ótima ideia?

Mas continuando nossa reflexão sobre as startups, em geral não necessariamente possuem uma sede física, e em alguns casos não tem uma vida longa sendo até mesmo ou incorporadas a outros empreendimentos, através dos conhecidos mergers, que rendem um grande estofo financeiro aos  que as vendem, ou simplesmente tem sua atividade reorganizada e redesenhada  para dar sequência a novas ideias, sem morrerem.

É um mundo muito dinâmico, requerendo pessoas que não tem apego a status conferidos por posições e cargos, mas sim apego a evolução , inclusão, parcerias, novas ideias, criações e atividades experimentais que facilitem a vida das pessoas.

Em sua grande maioria esses projetos empreendedores  possuem valores e procedimentos baseados em alguns pilares, que norteiam seu modus operandi e que basicamente estruturam-se da seguinte forma:

  1. Cultura: a ideia é a criação de uma mentalidade que seja pensar e agir de forma “digital”, isto é, rápida, ágil, livre de burocracias e níveis de gestão desnecessários. Todos falam com todos, todos fazem todas as coisas, comunicando-se de forma rápida e sem interferências de níveis hierárquicos como é característica de uma Corporação tradicional, baseada em hierarquias muitas vezes extremamente engessadas, que tornam uma tomada de decisão por vezes muito lenta, ocasionando de uma maneira geral uma perda de oportunidade de investimento ou de lançamento de algo novo.
  2. Talentos: criação de uma conectividade permanente com talentos ligados à Tecnologia, não necessariamente trazendo-os da forma tradicional para seus quadros, mas abrindo oportunidades para que haja uma constante troca de informações, ideias inovadoras entre essas cabeças e as Instituições.
  3. Eficiência: permissão aos empreendimentos de que as questões e desafios estratégicos em momentos cruciais, sejam solucionadas através da parceria e conexão continua até entre as próprias startups onde estejam as alternativas de equacionamento e solução de um problema. Assim, as soluções estratégicas, que podem alavancar uma instituição ou até salvá-la de um default, resumem-se em uma palavra: parcerias. Em entidades tradicionais, a conectividade para gerar eficiência é uma postura pouco disseminada e muitas vezes a resistência em se sair da caixa do corporativismo pode gerar resultados indesejáveis.
  4. Marca: criação de uma exposição e forte posicionamento do nome de uma empresa através de novamente, parcerias com outras startups que possuem ideias e soluções rápidas e ágeis para gerar posicionamento sustentado e valor agregado. Essa marca tenderá a ser tanto mais forte quanto maior for a confiança que gerar nos agentes econômicos  em todos os níveis.
  5. Novos Negócios: gerar um círculo virtuoso de conexões que permitam alcançar novos e criativos horizontes de oportunidades e negócios, por exemplo com fusões, sem o receio de perda de poder, empregos, status, etc. O profissional de uma startup não é um funcionário, mas alguém que busca incessantemente criar e entregar valor. E isto pode ser feito em qualquer lugar.

Muitas pessoas possuem uma ideia um tanto limitada do que seja uma startup ou mais ainda do âmbito de sua ação. Um empreendimento com o conceito de uma startup tem como proposta o investigar, buscar, redefinir, ressignificar a atividade profissional, gerando grandes oportunidades de trabalho para as novas gerações que estão se preparando para o enfrentamento do inicio de sua jornada profissional.

Uma startup proporciona a quem se desafia a participar de uma equipe de trabalho um imenso leque de novos conhecimentos e conexões, uma vez que o objetivo e maneira de agir de um projeto dessa natureza exige de quem nele aceita trabalhar, crescimento acelerado, participação ativa na criação de soluções e um grande engajamento com toda a comunidade o que irá lhe conferir a possibilidade de um aprendizado e desenvolvimento extremos.

Quando tomamos conhecimento de tudo isso imaginamos que uma startup precisa necessariamente ser algo parecido com um robô criado para gerar soluções, onde não há espaço para emoções, desenvolvimento pessoal e muito menos atitudes de solidariedade. Ledo engano.

O leitor ficará extremamente admirado da imensa variedade de soluções e de atividades desses empreendimentos flash que ao contrário do que se imaginava, não necessariamente tendem a morrer, porque nasceram para atender um problema especifico e que tendo atendido, perdem sua função.

Atualmente já temos uma série de projetos ligados ao comportamento humano, às soft skills, com ideias para criar condições de repassar aos profissionais no mercado em geral, soluções e caminhos para desenvolvimento de times coesos e motivados, bem como auxiliar os profissionais que estão iniciando sua jornada profissional.

Para um jovem profissional, a aceitação do desafio de atuação em uma startup gera uma experiência rica e extremamente valorizada e requisitada atualmente na medida em que o expõe a diversos e dinâmicos desafios que exigem uma grande versatilidade e ao mesmo tempo uma adaptabilidade a situações as mais inusitadas possível, dado o perfil extremamente pró ativo de um empreendimento dessa natureza.

Em resumo, é uma grande escola para quem deseja construir uma história profissional de respeito. A jornada em uma instituição dessa natureza requer dedicação, algum tipo de renúncia e muito comprometimento, posturas que no longo prazo trarão excelentes frutos em termos de experiência e valorização.

Em tempos não muito distantes tínhamos a visão de que startup só cuidava de Tecnologia e Finanças. Mas os tempos são outros e a Pandemia gerou necessidades de soluções em todos os sentidos e atividades.

Em um momento de graves dificuldades, com pessoas isoladas, sem a liberdade de buscarem soluções para suas necessidades é que aconteceu algo como um boom de projetos empreendedores como essas empresas que apresentaram propostas e soluções as mais variadas possíveis, entre as quais destacamos algumas: gestão e monitoramento de dados, consultorias em trabalho remoto, logística, saúde mental, gestão de custos fixos, desempenho de colaboradores, treinamento e desenvolvimento, eficiência no atendimento a clientes (hoje em algumas instituições

hospitalares vemos uma grande diferenciação no atendimento e na prestação dos serviços), Direito Trabalhista, geração de novas linhas de receitas, educação financeira e digital, cuidados com o bem estar dos colaboradores, operação em geral, Programas de Saúde, serviços de fitness, enfim,  uma gama imensa de ideias que geram valor para empresas tradicionais que necessitam de diversos serviços  e sociedade em geral.

Essas empresas, as startups vieram provar o quanto de potencial possuímos que não utilizamos, sendo necessário que uma grave crise de Saúde Pública se instalasse para que a comunidade como um todo percebesse o quão pouco as potencialidades individuais de profissionais alocados em grandes corporações são utilizadas para gerar valor e atender necessidades antes consideradas inviáveis.

No final da linha o que pretendemos demonstrar neste texto é que o ser humano é totalmente capaz e possui habilidades que se exercitadas e bem aplicadas levam à criação de grandes oportunidades e ao desenvolvimento sustentado da comunidade onde atuam.

Além de todas essas ofertas de ação, atividades e soluções, essas ideias empreendedoras também tem a função de gerar empregos, desta forma dando oportunidades de trabalho nos mais diversos formatos, para as mais diversas pessoas e formações, que buscam novos caminhos  ou  sua primeira experiência profissional.

Portanto, essa é mais uma grande iniciativa gerada neste momento tão difícil, mas também tão desafiador. Em um mundo abatido por um minúsculo “não ser”, fomos desafiados a criar novas alternativas de viver e conviver simplesmente pela necessidade de sobrevivência a esse mal.

Vimos através de iniciativas extremamente louváveis a mobilização da sociedade civil como um todo, no sentido do auxílio aos que ficaram totalmente vulneráveis em razão do isolamento necessário na luta contra a disseminação do vírus.

E também percebemos, o que é o mais importante de tudo, que este movimento não foi apenas em um momento de necessidade, mas foi algo que a partir do instante em que se visualizou a vulnerabilidade , criou-se uma nova consciência, adquiriu-se um novo padrão de comportamento social que antes não existia, ou seja, a percepção de que juntos se pode muito mais e de que a solidariedade promove o ser humano, na medida que o levanta de sua queda e o devolve à luta diária, devolvendo-lhe a autoestima e a crença em si próprio.

Somos uma grande aldeia global, o que na verdade já foi um conceito muito utilizado no século passado tendo sido criado pelo filósofo canadense Herbert Marshall McLuhan.

Imaginem só o que em 1964 era seu pensamento em linhas bem gerais: as novas tecnologias eletrônicas tenderiam a encurtar distâncias e o progresso tecnológico tenderia a fazer de todo o planeta uma aldeia em que todos estariam conectados!

O que não é isso se não a Internet? As redes sociais que aproximaram tantas pessoas fisicamente distantes, encurtando distâncias?

Os novos empreendedores com suas startups, possuem de uma forma geral para seu conhecimento amigo leitor, a essência do que o filósofo Canadense em 1964 defendia: a tecnologia gerando a total conexão e cooperação.

A competição acirrada e destruidora não gera progresso e desenvolvimento. Estamos tendo lições e exemplos práticos valiosíssimos agora! Será que ao final cometeremos a insanidade de retornar aos padrões anteriores?

As mudanças foram perceptíveis e em alguns casos já não é mais possível o retrocesso aos padrões de comportamentos anteriores à crise, pelo fato de que não há mais espaço para tal. A comunicação, a educação, o comércio, a prestação de diversos serviços, até mesmo cultos religiosos, tudo foi extremamente impactado pela pandemia.

Novos nichos de mercado apareceram, trazidos pela necessidade de serviços que antes não eram visíveis, pois todos viviam da mesma maneira, dentro de uma zona de conforto que não era capaz de abrir a cabeça e os olhos das pessoas de uma maneira geral.

Até mesmo novos grupos humanos, novas populações alvo foram criadas nestes novos tempos, gerando nas atividades comerciais, de serviços e industriais a necessidade de se repensar a forma de fornecimento de produtos e serviços.

Como assim? Que grupos humanos são estes?

Na próxima reflexão que lhe enviaremos caro amigo leitor, abordaremos essa nova grande oportunidade de negócios que está surgindo de nosso ponto de vista.

O importante de tudo isto é que tenhamos a certeza de que ao final de tudo, uma grande celebração será cabível: a de que vencemos juntos!

Pense nisso! Faça em si mesmo o start!

Startup

MUITO OBRIGADA!!!

Até o Próximo Encontro!!

Maria da Penha Amador Pereira, Economista formada pela Pontificia Universidade Católica de São Paulo com especialização em Desenvolvimento Econômico.

Atuou em carreira corporativa na antiga Companhia Energética de São Paulo, Banco do Estado de São Paulo e no Citibank, onde desenvolveu carreira por aproximadamente 30 anos em Controladoria, Planejamento Estratégico, Segurança de Informações, Gestão de Crises e Continuidade de Negócios, Qualidade, Projetos de Melhorias de Processos e Produtos Bancários, Controles Internos, Auditoria, Governança Corporativa, Regulamentação Bancária e Compliance.

Atualmente é escritora com obras já publicadas, Master Coach e PNL, Orientadora e Mentora de Carreiras, Palestrante e Educadora Financeira, tendo publicado mais de 55 artigos em Portais de Empreendedorismo, mídias sociais, jornais e revistas regionais e LinkedIn, além de ter participado de vários seminários e fóruns sobre diversos temas ligados à realidade brasileira e Compliance.

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